07/09/10

Recomeçar, todos

Apesar de tudo, cada pessoa recomeça! Tudo vai andando, no rebanho ou no restolho, com mais ou menos estratégias diante do futuro. Há, no entanto, acontecimentos que travam esse devir.

Um ponto prévio para valorizar o que habitualmente é motivo de lástima: o fim das férias.

Direito mais do que justo para qualquer trabalhador, ter férias é, cada vez mais, um privilégio. Felizmente para muitos, pelo menos na sociedade portuguesa e nas que se regem por critérios de democracia.

Mesmo nesses, no entanto, cresce o número dos que não podem ter férias, porque não têm um emprego. Um aparente paradoxo que desafia, por um lado, à procura do equilíbrio social; e, por outro, à necessária valorização do tempo de férias, dos dias de descanso, de encontro com familiares, amigos e conhecidos.

Neste ano, o recomeço acontece entre muitas instabilidades. Elas atingem diversificados contextos sociais: nos tribunais, na política, no desporto, na economia.

Muitos processos arrastam-se no tempo e parecem uma bola de neve rumo a um abismo colectivo: os judiciários sem fim à vista, os políticos revestidos de demagogias e mesmo mentiras, os que dependem de resultados positivos ou negativos conquistados nos relvados e aqueles que vão sendo ditados por estatísticas de crise nos mundos da economia.

Apesar de tudo, cada pessoa recomeça! Tudo vai andando, no rebanho ou no restolho, com mais ou menos estratégias diante do futuro.

Há, no entanto, acontecimentos que travam esse devir. Que surpreendem qualquer rotina. Que levantam questões sobre tudo e sobre todos.

Neste Verão, o falecimento de um Bispo, inesperadamente, gerou esses sentimentos para um largo grupo de pessoas. Porque em causa estava uma pessoa próxima, simples, dedicada, amiga. Também porque o falecimento de D. Tomaz da Silva Nunes constituiu um inesperado choque.

Da sua vida evidencia-se essa entrega ilimitada à educação, ao trabalho de ensino, de ajuda na formação cultural e pessoal das novas gerações. Um trabalho nobre, tanto mais eficaz quanto discreto, silencioso, paciente, reservado, apaixonado.

Era também assim a vida de D. Tomaz! Uma vida completamente doada aos outros, na proximidade a educadores e a educandos, à família e à escola, a pais e professores. Sobretudo comprometida com uma comunidade crente, a Igreja Católica.

Recomeçar, todos, pode não ser já possível. Mas é necessário que, os que recomeçam, garantam a continuidade de todos os compromissos. Sobretudo os desenvolvidos no silêncio, com paixão e paciência. São esses os que transformam as sociedades, tornando-as mais justas e solidárias.

Paulo Rocha

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