05/12/11

Igreja em Concílio

A 50 anos de distância, é mais fácil ir além da hermenêutica da rutura ou da continuidade

Assinalar os 50 anos do Concílio Vaticano II é uma oportunidade para a Igreja Católica se rever em dinâmica conciliar. Não só pela evocação e debate dos temas essenciais propostos por essa reunião histórica da comunidade católica, de que os documentos aprovados são reflexo, como também pela memória do contexto que requereu um Concílio Ecuménico, do percurso preparatório, dos debates e esquemas propostos e das constantes ligações entre Roma e o resto do mundo ao longo do decorrer dos trabalhos.

A representatividade global que esta assembleia conquistou é, desde logo, de anotar. Não apenas pela participação de delegados dos cinco continentes, mas também pelos contributos enviados para Roma nos três anos anteriores à realização das sessões conciliares, quando foram pedidos temas para debate e sugestões para o desenrolar dos trabalhos. A Roma chegaram quase 2 mil respostas, onde estavam mais de 9 mil propostas.

Depois, os anos de reunião, no Vaticano: 2500 participantes no Concílio, observadores, peritos, consultores teológicos, tradutores e muitas outras pessoas para concretizar uma ideia do Papa João XXIII, expressão de procuras e interrogações de mulheres e homens dos meados do séc. XX na tentativa de adequar verdades eternas a novos contextos.

Todo esse processo, a História do Concílio, os seus protagonistas e os que o acompanharam à distância, pode ser ainda contado na primeira pessoa. E a ocasião aí está: assinalar mais de três anos de sessões conciliares e outro tanto em preparação transformar-se-á em oportunidades para dar vida a “diários do concílio”, apontamentos, cartas, debates da época, desafios e interrogações por aqueles que o viveram. A geração que não experimentou esses dinamismos reclama-o!

Depois, o estudo, a compreensão e a concretização das conclusões dos trabalhos, traduzidas em 4 Constituições Apostólicas, 9 Decretos e 3 Declarações, os documentos aprovados sempre por mais de 2100 votantes e onde apenas um teve mais de 100 votos contra (o relativo às comunicações sociais).

A 50 anos de distância, é mais fácil ir além da hermenêutica da rutura ou da continuidade. Será possível acolher os resultados do Concílio Vaticano II rejeitando vias que se excluem para encontrar caminhos e linguagens de inclusão.

Paulo Rocha

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