01/10/09

Papa em Portugal

Fátima aguarda Bento XVI. Não só porque agora o comunicou. Sobretudo porque é nos grandes locais de peregrinação do cristianismo que tem manifestado desejo de estar o “primeiro dos peregrinos”.

Sucediam-se os indicadores dessa vontade pessoal do Papa, da sua proximidade ao povo português e, muito particularmente, da demonstrada opção por estar em locais de referência para a realização da experiência cristã na actualidade, onde se inscrevem os santuários marianos.

Estará em Fátima o teólogo que interpretou a relação de João Paulo II com a Mensagem de Fátima. Então Cardeal Ratzinger, também foi o actual Papa que “ofereceu” ao seu antecessor a profunda e emotiva ligação ao santuário da Cova da Iria. Após o atentado de 1981, no dia 13 de Maio, e a imediata relação com o que se celebrava, nesse dia, no “Altar do Mundo”, foi o estudo de mensagens contidas em segredo que aproximou decisivamente o pontificado do Papa Wojtyla, de Fátima. Revelada no Ano 2000, a terceira parte do segredo de Fátima mereceu a análise e o comentário teológico do actual Papa, então Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Ainda não completamente liberto da imagem gerada por esse cargo na Cúria Romana, é na proximidade que Bento XVI se revela. Esse o testemunho dos que com ele privam, agora como Pontífice da Igreja Católica, antes como teólogo.

Como em anteriores deslocações apostólicas, a proximidade com Bento XVI tem oferecido oportunidades para descobrir no actual Papa características de liderança marcadas pela profundidade da reflexão científica e pastoral. Também pela atenção aos problemas das sociedades que visita, sabendo denunciar injustiças e construções sociais que afectam a pessoa humana na sua dignidade e naturalidade, numa atenção muito estreita às circunstâncias políticas, económicas, culturais e religiosas do País onde é acolhido. Assim acontecerá também em Maio próximo. Portugal irá provavelmente receber Bento XVI ao mesmo tempo que joga no terreno de tensões parlamentares questões decisivas da pessoa humana, da sua dignidade e valorização, tanto individualmente considerada como na espontânea realização familiar que sempre tem marcado o rumo da história. E também por isso, a visita do Papa Bento XVI constitui uma oportunidade para Portugal, para a sua realização na História e, sobretudo, para a coerência das suas referências cristãs.

Paulo Rocha

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