18/09/12

Cultura da oportunidade

Em contexto ainda excessivamente marcado por poderes instituídos, direitos adquiridos, o favorecimento ultrapassa a idoneidade Não seria problemático, nos dias que correm, eleger um tema para reflexão, insistir nas dificuldades atuais ou nas suas imensas nuances. Sublinho apenas uma: a negação da oportunidade. Não de uma hipotética nova oportunidade, que os tempos inibem, mas daquelas que vão surgindo. Silenciosa forma de precaridade, com custos danosos para pessoas e instituições, depressa anulam eventuais ganhos. Causadora de indivíduos suscetíveis, sem alento e esperança, não atinge apenas o estereótipo do jovem recém-formado. Vivemos o cúmulo do problema, englobando gerações de 20, 30, 40 e 50 anos… Mesmo em tempo de raras alternativas, pesa muito a arbitrariedade de ser preterido, a negação da esperança num sistema imparcial. Em contexto ainda excessivamente marcado por poderes instituídos, direitos adquiridos, o favorecimento ultrapassa a idoneidade. Opta-se pela força da influência, pela segurança do conhecido, do amigo necessitado, evitando-se o risco da novidade. Porque escasseiam os concursos verdadeiramente públicos, as avaliações curriculares e o reconhecimento do mérito? E a ocasião está lá, mas falha essa cultura da oportunidade, da isenção e da aposta na competência. É, antes do mais, um exercício de consciência ética, de equidade e decência. E bem pensado, quanta responsabilidade temos assistindo tácitos a pequenas concessões destas? Um exíguo combate ao alcance de muitos, de todos quantos podem promover uma qualquer medida concreta. Haja para isso a integridade de ser coerente na ação. Sandra Costa Saldanha

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